
Machado de Carlos
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Um pássaro azulado estava preso em sua gaiola. A única comunicação com o mundo era um pombo correio-correio, que todos os dias, sem falta; passava por lá e lhe trazia notícias. Através dessa ida e vinda de correspondências uma linda pássara encantada conheceu o pássaro azulado. Ela conhecia apenas a sua letra. Adorava a letra do pássaro. Começou a lhe entregar, diariamente, muitas cartas. Nas cartas nunca deixava de elogiar as idéias do pássaro, preso na sua gaiola particular. De outro lado o pássaro não entendia bem aquele volume de cartas que entortavam o bico do amigo pombo-correio. Pudera, a passarinha escrevia coisas lindas! O pássaro foi gostando dessa idéia e se sentiu cativo de tantas cartas perfumadas. Certa vez, como prometera, a pássara encantada apareceu por lá. Apaixonaram-se. Foram felizes! Bem, a pássara era nômade e tinha a sua natureza. Contra a natureza não se deve lutar, não é? O pássaro azul também tinha a sua natureza, porém, era preso. A pássara encantada foi-se. Tinha lá outras visitas. Nunca mais deu trabalho ao pombo-correio, que todo dia chegava com o seu bico praticamente vazio. Só restava ao pássaro escrever mais cartas a esmo. Sentia a falta da pássara. Chorava, chorava, chorava!... Hoje voa livremente no Além-túmulo! Ribeirão Preto, 09 de janeiro de 2004 00h02 min.
2 comentários:
Lindo demais esta crônica! Você sempre encantando com teus feitos. As vezes me identifico tanto com tua arte que fico inebriada pela emoção que está me trás. Beijos carinhosos e um lindo final de semana para você.
No poema sempre Ela, me rendo ao versos magistrais e curvo-me diante de tal beleza.Beijos
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