sábado, outubro 27, 2007

O Pássaro



Um pássaro azulado estava preso em sua gaiola. A única comunicação com o mundo era um pombo correio-correio, que todos os dias, sem falta, passava por lá e lhe trazia notícias. Através dessa ida e vinda de correspondências uma linda pássara encantada conheceu o pássaro azulado. Ela conhecia apenas a sua letra. Adorava a letra do pássaro. Começou a lhe entregar, diariamente, muitas cartas. Nas cartas nunca deixava de elogiar as idéias do pássaro, preso na sua gaiola particular. De outro lado o pássaro não entendia bem aquele volume de cartas que entortavam o bico do amigo pombo-correio. Pudera, a passarinha escrevia coisas lindas! O pássaro foi gostando dessa idéia e se sentiu cativo de tantas cartas perfumadas. Certa vez, como prometera, a pássara encantada apareceu por lá. Apaixonaram-se. Foram felizes! Bem, a pássara era nômade e tinha a sua natureza. Contra a natureza não se deve lutar, não é? O pássaro azul também tinha a sua natureza, porém, era preso. A pássara encantada foi-se. Tinha lá outras visitas. Nunca mais deu trabalho ao pombo-correio, que todo dia chegava com o seu bico praticamente vazio. Só restava ao pássaro escrever mais cartas a esmo. Sentia a falta da pássara. Chorava, chorava, chorava!...
Hoje voa livremente no Além-túmulo!


Ribeirão Preto, 09 de janeiro de 2004
00h02 min.




Eu Amo Você!


De todos os percalços que passamos pela vida, de todas as solidões que amarfanham o nosso coração; a triste espera consome a existência, o tempo implacável que passamos distante de um ente querido, em suma, encontramos a palavra chamada amor que espalha a sua luz entre todos os espinhos existentes.

Às vezes, sabemos, temos a certeza de que determinada pessoa nos ama, mas a simples declaração de amor faz o nosso coração explodir de alegria. Encontramos nas palavras mágicas a energia para enfrentar a tempestade.

Cientificamente sabemos que as palavras são frutos de nossos pensamentos que se condensam. Por isso quanto mais recebemos tais estímulos, recebemos com eles uma carga energética que nos vitalizam.

Diante disso, não percamos a oportunidade de dizer a alguém, que nos é importante, a frase mágica: - Eu amo você!

Carlos,


Ribeirão Preto, 27 de dezembro de 2004.
16h26






Renúncia


Uma serpe, oriunda do espaço cibernético hipnotizou o pobre navegante com sua falácia, com seu olhar penetrante e com a sua voz aveludada.

Um banquete cinematográfico foi oferecido. Os dois se fartaram de tanta delícia! Desmaiaram entre lençóis acetinados...

Em demorado transe, o pobre ser foi sugado, de todas as maneiras possíveis por aquela serpe com fisionomia dulcificada.

Um dia, a serpe foi embora e deixou o pobre, cativado pelo seu fluido. E ele chorou pela dor da ausência!

Para contentar o navegante hospedeiro, a serpe deixou uma caixinha com a sua voz. Quando o coitado sentia sua falta, eis que ouvia a voz que saía da caixinha. Era uma forma de matar a saudade.

Um dia, ao som daquela voz, o menino caiu em si; a voz possuía um tom retórico de política. Zangou-se. Para se livrar do eco cativante e não sofrer mais; do alto de uma ponte atirou a moradia da voz nas águas poluídas do Rio Ribeirão Preto. Lá se foi um sonho! Agora somente a realidade lhe interessava.

Enfim, o nosso navegante, refeito de suas forças, libertou-se dos tentáculos venenosos. Hoje ele dorme um pouco melhor.


Ribeirão Preto, 07 de setembro de 2005.
16h50











O Céu Estava Estrelado



O Céu estava estrelado. O vento bagunçava a janela como a impor a sua majestade. No quarto podíamos observar as variadas roupas íntimas abandonadas aos cantos. Também pudera a noite fora fascinante!

Recordava as nossas cenas de prazer; aquela sessão de cunilíngua demorada, demorada...

Inda posso ouvir os uivos malucos desafiando o silêncio, com o gosto de quero e quero mais, mais e mais...

Podia-se ver a imagem refletida no espelho trincado, a língua a deslizar-se suavemente pelo meu vergalhão. Meu, não, porque ali era tudo nosso! Éramos um único ser, unidos em dois corpos e confundindo-se como se fora uma só alma.

O ápice foi uma loucura! Foi um gozo demorado... recíproco. E naquele momento queríamos absorver aquela viagem longa e duradoura.

Quantos e quantos sonhos eu pude vivenciar no sono profundo!

Mágica? Sei lá, na madrugada, acordei novamente e fiquei a contemplar aquelas nádegas estonteantes. Enquanto ela dormia acariciei novamente aquela anca e lá estava a minha língua molhando todos os arredores.

Tal qual numa viagem fantástica penetrei novamente naquele mundo, só meu, num vaivém frenético. Desta vez todos os meus fluidos se esgotaram.

... e a noite continuou!

O Céu estelar registrou a cena no seu flash de luzes e cores.

E o vento continua a cantar e a bailar na janela, incentivando-nos a iniciar novas loucuras!


Ribeirão Preto, 29 de dezembro de 2004.
3h10

Um comentário:

Trini disse...

Ojalá nos canten los pájaros, sus buenas-nuevas, todos los días.

Saludos